On-premise vs. cloud: como calcular o custo real da sua infraestrutura?
Muitas empresas comparam apenas o preço do servidor com a mensalidade da nuvem. Entenda por que essa conta está incompleta e aprenda a enxergar os custos ocultos da sua TI.
Para um CIO ou Diretor Financeiro, a decisão entre manter um datacenter local ou migrar para a nuvem não pode ser baseada em "palpites" tecnológicos. Ela precisa ser baseada em números frios. O problema é que, na maioria das vezes, o cálculo do TCO (Total Cost of Ownership) da infraestrutura on-premise é feito de forma superficial, ignorando todos os demais custos.
Comparar a nota fiscal de um servidor físico com a fatura mensal de um provedor de cloud é um erro clássico. Enquanto a nuvem é um modelo de OPEX (despesa operacional), o on-premise é carregado de CAPEX (investimento de capital) e custos de manutenção que muitas vezes não estão na planilha da TI.
Neste artigo, vamos detalhar como você deve calcular o custo real da sua infraestrutura para tomar uma decisão baseada em rentabilidade e eficiência.
- O iceberg dos custos on-premise
Quando falamos em manter servidores locais, os custos visíveis (aquisição de hardware e licenças) representam apenas cerca de 20% do gasto total ao longo de cinco anos. Os outros 80% são custos operacionais e ocultos.
Custos diretos e infraestrutura física
Manter um datacenter exige um ambiente controlado. Isso inclui gastos substanciais com energia elétrica para manter os servidores ligados 24/7 e, principalmente, com sistemas de climatização/refrigeração. Além disso, há o custo do espaço físico (aluguel e segurança patrimonial) e o investimento em sistemas de energia ininterrupta (Nobreaks e Geradores).
Manutenção e capital humano
O on-premise exige uma equipe dedicada para tarefas de baixo valor agregado, como troca de peças, monitoramento de temperatura, patching manual e gestão de garantias. O tempo que sua equipe gasta "apagando incêndios" no hardware é um tempo que não está sendo investido em inovação.
Obsolescência e subutilização
Um servidor físico começa a depreciar no momento em que sai da caixa. Em 3 ou 5 anos, ele estará obsoleto. Além disso, para suportar picos de demanda, as empresas costumam comprar mais hardware do que precisam, resultando em máquinas ociosas que consomem energia e manutenção sem gerar valor.
- O modelo de custos na cloud: transparência e elasticidade
A migração para a nuvem altera a lógica financeira. Você deixa de imobilizar capital em ativos que perdem valor e passa a pagar apenas pelo que consome.
- Agilidade Financeira: O capital que seria gasto na compra de servidores (CAPEX) pode ser direcionado para o core business da empresa.
- Fim do Superprovisionamento: Na nuvem, se você precisa de mais potência por apenas duas horas, você paga apenas por essas duas horas. É a chamada infraestrutura elástica.
- Atualização Tecnológica Inclusa: O custo de manter o hardware de última geração é do provedor, não seu.
No entanto, para que a conta feche de forma positiva, é fundamental que a empresa tenha uma estratégia de infraestrutura de nuvem escalável, focada em alta disponibilidade e gestão inteligente de recursos. Sem governança, a nuvem pode se tornar um ralo de desperdício.
- Como fazer o cálculo do TCO na prática
Para comparar as duas realidades, utilize a seguinte fórmula de TCO para um período de 3 a 5 anos:
TCO = Custo de Aquisição + Custos Operacionais + Custos de Downtime + Custo de Oportunidade
- Levante o CAPEX: Some o custo de servidores, storage, switches, racks e cabos.
- Calcule o Custo Operacional: Inclua a conta de luz do datacenter, contratos de manutenção, licenças de software e a porcentagem do salário da equipe de TI gasta apenas com manutenção física.
- Estime o Custo de Downtime: Quanto sua empresa perde por hora se o servidor local falhar? Em empresas de missão crítica, como hospitais, esse valor é altíssimo.
- Compare com o Orçamento Cloud: Solicite uma estimativa de consumo baseada na sua carga atual, mas considere a economia gerada pelo desligamento de máquinas ociosas.
Checklist Comparativo: O que compõe o seu custo real de infraestrutura?
Para que o cálculo do TCO saia do campo das suposições e se torne uma ferramenta de decisão, é preciso isolar cada variável. Abaixo, estruturamos os principais componentes que diferenciam o investimento em hardware local (CAPEX) da agilidade operacional da nuvem (OPEX). Utilize esta tabela como base para auditar seus gastos atuais.
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Categoria de Custo |
O que medir no On-Premise |
O que medir na Cloud |
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Infraestrutura |
Servidores, Storage, Switches, Nobreaks |
Assinatura mensal (Pay-as-you-go) |
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Manutenção |
Peças de reposição e contratos de garantia |
Inclusa no serviço do provedor |
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Operação |
Energia (24/7), Ar-condicionado, Espaço físico |
Custo zero de infraestrutura física |
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Pessoas |
Horas da equipe em manutenção e "incêndios" |
Equipe focada em inovação e gestão |
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Risco |
Custo estimado por hora de inatividade (Downtime) |
SLA de disponibilidade garantido em contrato |
Conclusão:
Calcular o custo real da infraestrutura é o primeiro passo para uma transição segura. Na maioria dos casos, o valor da nuvem não está apenas na "economia de impostos", mas na resiliência e na capacidade de escala que o modelo local jamais conseguirá oferecer com o mesmo custo-benefício.